Venda de embalagens cresce menos que o PIB
16/10/2006

Fabricantes esperam aquecimento das encomendas a partir da segunda metade de outubro. A indústria brasileira de embalagens poderá apresentar este ano crescimento abaixo do esperado para o Produto Interno Bruto (PIB) - de 3%, segundo o Banco Central. Dois sinalizadores são as vendas dos segmentos de papelão ondulado e de embalagens plásticas flexíveis.

O presidente da Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO), Paulo Sérgio Peres, estimou em 1% a alta para 2006, depois que a entidade constatou queda de 1,95% nas vendas de setembro, em comparação com o mesmo mês do ano passado, para 185,5 mil toneladas. Nos últimos três meses até setembro, a baixa foi de 1,5%, para 550,86 mil toneladas. No acumulado do ano até setembro, a alta é de apenas 0,76%, com 1,618 milhão de toneladas vendidas.

Também o presidente da Associação Brasileira de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief), Rogério Mani, disse que a área deve apresentar alta de no máximo 2% este ano sobre as 685 mil toneladas de 2005. No primeiro semestre, foram 350 mil toneladas, 1% acima de igual intervalo do ano anterior. No começo de 2006 as entidades previam crescimento em torno de 4% a 5%.

Os principais motivos apontados para esse desempenho são os fracos resultados de venda dos produtos não duráveis e semi-duráveis, importação em alta e exportação em baixa. Os últimos números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dão conta de queda de 0,9% na produção de bens de consumo semi e não-duráveis, como alimento e remédios, no período de julho a agosto.

A expectativa da indústria é de que haja um atraso nas encomendas este ano, iniciando na segunda metade de outubro um movimento mais forte de vendas. Ainda assim, dizem os executivos, não será possível alcançar os patamares de crescimento de 2005, que ficaram próximos do registrado pelo PIB. A expectativa de Mani, entretanto, é de que 2007 comece melhor devido aos mornos resultados de 2006.

O presidente da fabricante de papel kraftliner (para produção de embalagens de papelão ondulado) e de embalagens de papelão Rigesa, Paulo Tilkian, disse que a companhia contava com alta de 4,5% para o ano no papelão ondulado, mas não deve passar dos 2,5%. Além das razões macroeconômicas, Tilkian apontou a concorrência de outras embalagens como plástico e isopor e disse que no Nordeste, por exemplo, onde se concentram exportadores de frutas, há importante movimento de importação de embalagens em regime de draw-back, que muitas vezes torna o preço mais atrativo com a baixa do dólar.

Sinclair Fittipaldi, gerente de marketing da Suzano Petroquímica, fornecedora de polipropileno para a produção de embalagens plásticas, também informou que as vendas da empresa para essa indústria estão em linha com as realizadas em 2005. A Suzano produziu 310 mil toneladas da resina entre janeiro e agosto. A indústria de embalagens fica usualmente com 50% do total. Já em papel-cartão o grupo Suzano registra crescimento expressivo.

O gerente de grupo de produtos da Suzano Papel e Celulose, César Mendes, informou que até agosto a alta foi de 13,6%. As vendas totais do produto cresceram 4% no mesmo período, para 316,11 mil toneladas, pelos números da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), segundo o executivo.

A Suzano tem 26,8% do mercado. Os principais consumidores são produtores de embalagens para alimentos, produtos de higiene, cosméticos, caixas para roupas e calçados e sacolas. Um dos produtos que puxam a venda de cartão no final do ano é o panetone. Segundo Mendes, 70% do panetone consumido no Brasil é embalado em cartão.

Para Fittipaldi, de modo geral a indústria passa por uma fase de posicionamento, diferenciação de produto para manter ou ganhar participação no mercado. Dados do Mintel Group, com os quais a Suzano trabalha, dão conta de que o Brasil desenvolveu 1,611 mil novas embalagens nos últimos três meses, só considerando as básicas, onde são colocados diretamente os produtos. (Fonte: Gazeta Mercantil)