Novo presidente do Ultra idealizou complexo no Rio
16/10/2006

O engenheiro Pedro Wongtschowski, diretor-superintendente da Oxiteno, assumirá a presidência-executiva da Ultrapar a partir de janeiro de 2007. Wongtschowski, de 60 anos, substituirá o empresário Paulo Cunha, que continuará na presidência do conselho de administração da empresa.

Wongtschowski é um dos principais mentores do maior projeto de investimento do país, o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), estimado em mais de US$ 8 bilhões. A idéia foi levada pelo Ultra à Petrobras, que abraçou o empreendimento.

Em 2005, Wongtschowski liderou missão à China com representantes da Petrobras para conhecer a tecnologia de processamento de petróleo pesado desenvolvida pela Sinopec para sua refinaria petroquímica. "Ele sempre teve um papel de liderança", diz Otávio Pontes, vice-presidente da Stora Enso na América Latina, seu ex-colega na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.

Na quarta-feira, depois de a notícia da mudança no comando da Ultrapar ter sido antecipada pelo Valor Online, especialistas do setor interpretaram a ida de Wongtschowski para o comando executivo da Ultrapar como um reforço da parceria do grupo no projeto com a Petrobras. No entanto, numa rápida conversa com o Valor, Wongtschowski foi enfático: "Não há relação nenhuma." No comando da Oxiteno, assumirá seu cargo o diretor comercial, João Parolin.

O empresário Paulo Cunha, de 66 anos, acumula as presidências executiva e do conselho da Ultrapar desde 1998, quando faleceu o principal acionista do grupo, Pery Igel, filho do fundador. Segundo Cunha, o plano inicial era que ele deixasse as atividades executivas no início deste ano. "Algumas questões atrasaram esse processo", disse ao Valor.

"Finalizamos o processo de consolidação da parte de profissionalização da gestão do grupo e agora meu papel na frente do conselho será aperfeiçoar a governança corporativa e cuidar das decisões estratégicas", disse ele, uma voz respeitada no meio empresarial. Cunha presidiu o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), que ajudou a fundar.

Durante a gestão de Paulo Cunha, a Ultrapar se fortaleceu como um dos principais grupos brasileiros. Controla a Ultragaz (distribuidora de gás liquefeito de petróleo, que representa mais de 60% das vendas do Ultra), a Oxiteno (empresa química) e a Ultracargo (empresa de logística). Em 2005, teve receita líquida de R$ 4,7 bilhões.

Em 2000, a Ultrapar perdeu a chance de controlar uma das principais centrais petroquímicas do país, a extinta Copene, maior empresa do pólo da Bahia. A companhia foi adquirida pelo grupo Odebrecht, em 2001 e se transformou na Braskem. Depois disso, o grupo comprou as atividades da Shell Gás no Brasil além de uma empresa química no México.

A Ultrapar possui uma estrutura particular de controle societário. Altos executivos do grupo e herdeiros dos fundadores coexistem no conselho de administração com forças iguais. Do lado dos executivos, Cunha é o principal acionista da Ultrapar, com 10% do controle. Só perde para família Igel.

A média de idade dos seis diretores da Ultrapar é de 55 anos, com 27 anos de casa, em média. Paulo Cunha tem 38 anos de grupo Ultra. Wongtschowski trabalha no grupo desde 1970, exceto por um intervalo de cinco anos. (Fonte: Valor Econômico)