Unipar vai dobrar operações no Grande ABC
05/10/2006

O grupo Unipar, que tem controle acionário da Polietilenos União e da PQU (Petroquímica União), localizadas no Pólo Petroquímico de Capuava, se prepara para mais do que duplicar suas operações no Grande ABC em cinco anos. A companhia tem projetos de expansão em andamento nessas duas empresas e já planeja uma nova ampliação para 2010. Um dos objetivos do novo programa de expansão é elevar a produção da PQU para 1,2 milhão de toneladas anuais de eteno (principal item petroquímico básico).


Os investimentos do chamado projeto de 2010, do grupo, poderão superar US$ 2 bilhões. Para isso, a companhia desenvolve com a Petrobras a análise de alternativas de fornecimento de matérias-primas na região Sudeste. Na mesa das discussões, estão a disponibilidade futura de gás na Bacia de Santos, em reservas que deverão ser exploradas pela estatal a partir de 2008, e ainda a possibilidade de aproveitamento de gás residual de refinarias.


Segundo o presidente executivo da Unipar, Roberto Garcia, o programa de crescimento reflete a estratégia adotada pela companhia: “Nosso diferencial competitivo é termos definido nosso foco de atuação na região Sudeste, onde há diversas opções de matérias-primas para petroquímica – nafta, gás natural e correntes de refinaria –, além da concentração do mercado consumidor, o que confere competitividade aos nossos negócios”.


Garcia acredita que o crescimento da economia brasileira a uma taxa média de 3,5% ao ano deverá impulsionar o setor petroquímico no país a taxas de 8% a 10%. Dessa forma, o volume adicional de produtos da fábrica da Rio Polímeros – controlada pelo grupo e que entrou em operação no início deste ano –, já estaria plenamente absorvida até 2008, justificando um novo crescimento das operações do grupo para evitar déficits da oferta brasileira.


A Unipar já tem investimentos em andamento de R$ 1,6 bilhão. Parte importante disso se concentra no Grande ABC. São R$ 840 milhões para ampliar a capacidade produtiva da PQU das atuais 500 mil toneladas ao ano de eteno para 700 mil toneladas a partir de 2008. Outro plano é para elevar, no mesmo período, a produção da Polietilenos União em 200 mil toneladas anuais da resina plástica polietileno. Para isso, aplica outros R$ 490 milhões.


Armazéns – O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou na última semana financiamento de R$ 26 milhões para a União Terminais e Armazéns Gerais, também pertencente à Unipar, ampliar sua capacidade de armazenagem do terminal de Alemoa (em Santos), de 103 mil para 124 mil m³ ao mês. O investimento total do projeto é de R$ 33,3 milhões.


Os investimentos do setor petroquímico no país devem atingir, entre 2007 e 2010, o total de R$ 17,6 bilhões e, desse volume, o BNDES prevê financiar R$ 7,4 bilhões. Será 33,5% mais que o montante liberado pelo banco no período de 2003 a 2006.
Na avaliação do banco, o alto volume de crédito que deverá ser liberado se explica pelo fato de esse ser o segmento mais expressivo e dinâmico da indústria química nacional – a qual é responsável por 4% do PIB do país.


Analistas do BNDES apontam que os novos investimentos deverão gerar uma economia de divisas da ordem de US$6,8 bilhões, ao reduzir o déficit comercial de petroquímicos previsto de US$ 8 bilhões em 2013, caso não houvesse ampliações. (Fonte: Diário do Grande ABC)