Grupos investirão R$ 17,6 bilhões até 2010, prevê BNDES
28/09/2006

A indústria petroquímica deverá investir R$ 17,6 bilhões em novos projetos de primeira e segunda geração no período 2007-2010. O montante é 220% maior do que os R$ 5,5 bilhões investidos pelas empresas do setor entre 2003 e 2006.



Os dados, levantados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), incluem parte da construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), com investimentos totais previstos em US$ 8,4 bilhões (R$ 18,5 bilhões).



O trabalho do BNDES considera ainda a instalação de novas unidades de produção de resinas termoplásticas no país e leva em conta um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4% ao ano, em média, até 2010. O crescimento do PIB é uma alavanca para o setor. Quanto mais o Brasil crescer, maior será a demanda por resinas. Esse é um fator de sucesso, mas também de risco. Nos últimos anos tivemos o lado reverso dessa moeda com problemas de crescimento e de taxa de câmbio afetando a competitividade do setor, avaliou João Nogueira Batista, co-presidente da Suzano Petroquímica.



A Suzano desenvolve plano para expandir a capacidade de produção de polipropileno em 250 mil toneladas por ano até 2008. Batista e executivos de outras sete empresas - Unigel Química, Unipar, Braskem, Ultra, Ipiranga, Elekeiroz e Petrobras - reuniram-se ontem com o presidente do BNDES, Demian Fiocca, para discutir os investimentos no setor. Fiocca disse que o BNDES espera financiar R$ 7,4 bilhões ou 42% do total de investimentos previstos pela indústria petroquímica até 2010.



O investimento total do setor, se confirmado, irá representar crescimento médio real de 33,7% em relação ao volume investido entre 2003 e 2006. Neste período, o banco liberou ao setor R$ 2,4 bilhões, equivalentes a 43,6% do investimento total, de R$ 5,5 bilhões. Os novos projetos, segundo o BNDES, incluem unidades de produção de polietileno, polipropileno, PET e PVC, entre outros produtos.



Na avaliação do BNDES e da própria indústria, uma das questões fundamentais para a petroquímica brasileira é a disponibilidade de matéria-prima. A visão do banco é de que existe uma oportunidade para que a indústria busque, em parceria com a Petrobras, uma maior diversidade de insumos, reduzindo a predominância da nafta. São alternativas o gás natural (Riopol), os óleos pesados (Comperj) e o etanol, ainda sem projeto.



A proposta do BNDES para a indústria passa pelo apoio à ampliação da capacidade e aos movimentos de reestruturação. Na reunião no BNDES, Eduardo Tergolina, diretor da Ipiranga, disse que o grupo estuda a construção de uma nova unidade de produção de polipropileno em projeto ligado à expansão da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap). Estamos em discussão com a Refap, disse Tergolina. A Ipiranga produz 140 mil toneladas/ano de polipropileno.



José Augusto Mendes, vice-presidente da Braskem, disse que a empresa tem plano de tornar-se uma das dez maiores indústrias petroquímicas mundiais, com projetos no exterior. Na Venezuela, a Braskem estuda dois projetos, um de polipropileno e outro de polietileno, em parceria com a estatal Pequiven, em investimento de cerca de US$ 2 bilhões.



Roberto Garcia, presidente da Unipar, disse que empresas do pólo petroquímico de São Paulo devem fazer novos investimentos, a partir de 2010, que poderão atingir US$ 2 bilhões. O projeto inclui a ampliação da Petroquímica União (PQU) para produzir 1,2 milhão de toneladas de eteno por ano. (Fonte: Valor Econômico)