Petróleo internacional cai e pode baratear derivados
28/09/2006

A queda de cerca de 25% nos preços internacionais do barril de petróleo nas últimas seis semanas já proporcionaria a redução do valor de alguns derivados no mercado nacional em até 20%. A estimativa é de analistas e representantes da indústria petroquímica e das empresas aéreas. A maior queda, segundo eles, deveria ocorrer no valor da nafta. Fonte de uma empresa petroquímica revelou que a expectativa é de que este combustível tenha seu preço reduzido em 15% ou até 20% no próximo dia 30.


A Petrobras mantém contratos diferenciados com as empresas do setor, mas o valor, cobrado de acordo com o mercado internacional, é reajustado mensalmente. "Quando houve o último reajuste, o preço do barril ainda não havia tido uma queda tão forte quanto nos últimos dias. Se esta tendência se mantiver, é bem provável que haja uma redução deste porte (em torno de 20%)", afirmou a fonte.


Já o Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea) trabalha com a expectativa de haver uma redução entre 10% a 11% no valor do Querosene de Aviação (QAV). O novo preço deve ser anunciado hoje pela Petrobras e passa a valer a partir do dia 1º de outubro, seguindo a política da estatal de reajustar este combustível a cada 15 dias.


Nos últimos dois reajustes, a Petrobras já vinha reduzindo o valor do QAV, em 4% (15/09) e 5,1% (01/09). Apesar disso, o combustível acumula alta de 14,8% este ano em relação a 2005.


Gasolina

Entre os principais derivados (gasolina e diesel), analistas estimam que também há espaço para redução em torno de 10%. Os preços dos dois combustíveis não são reajustados desde setembro do ano passado e, ao que tudo indica, ainda devem ficar mais algum tempo estáveis.


Indagado sobre a possibilidade de repassar para estes preços a queda no valor internacional do barril, o presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli, disse na semana passada que a estatal manteria a política de "não repassar a volatilidade do mercado internacional para o mercado interno". "Quem garante que estes valores não sobem de novo na próxima semana?", completou na ocasião o diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa.


Para o diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), Adriano Pires, a Petrobras pode aproveitar o momento para recuperar as perdas que acumulou durante o período em que o barril de petróleo teve seu preço acima dos US$ 70. "A Petrobrás não repassou esta alta e deixou que os preços da gasolina no Brasil ficassem até 22% abaixo do mercado internacional. Na prática, a Petrobras deixou de ganhar US$ 6,5 bilhões", comentou Pires. (Fonte: Agência Estado)