Foco está na inovação, infra-estrutura e insumos básicos
21/09/2006

O BNDES, além de ser o principal executor da política industrial do governo federal, elegeu suas próprias prioridades. Definidos a partir da nova política operacional do banco, os segmentos prioritários nem sempre são aqueles que recebem maior volume de recursos ao longo do ano. Mas têm, com certeza, linhas de crédito mais vantajosas. Há no banco, claramente, três prioridades. Às vezes, elas se cruzam em um mesmo projeto: inovação tecnológica, infra-estrutura e projetos estruturantes (ligados a insumos básicos).


A linha para inovação - com juro fixo de 6% ao ano e spread zero - pode ser apontada como a prioridade número um do BNDES. A idéia é estimular a indústria brasileira a criar novos produtos. Até agosto, foram enquadradas nove operações nesta linha, no valor de R$ 111 milhões, com investimento total de R$ 612 milhões.


A segunda prioridade do banco é o setor de infra-estrutura, com destaque para os gargalos logísticos, ferrovias e setor elétrico. Os gargalos logísticos, entre os quais está o anel ferroviário de São Paulo, contrataram R$ 80 milhões no BNDES. Mas o setor ferroviário já acumula uma carteira de projetos entre contratados e aprovados de R$ 3,1 bilhões. Este ano, serão liberados R$ 700 milhões para ferrovias, dos quais R$ 156 milhões só para produção de 5 mil vagões.


A partir do próximo ano, o BNDES estima desembolsar R$ 1 bilhão para ferrovias por conta de empréstimos cujos pedidos já entraram no banco e outros em perspectiva. Já encaminharam pedidos de financiamento as ferrovias ALL (R$ 150 milhões), Transnordestina (R$ 100 milhões) e Brasil Ferrovias (R$ 100 milhões). Nos anos 90, após a privatização do setor ferroviário, os investimentos eram muito baixos no banco para este setor. Em 2003 eles começaram a crescer. Naquele ano, somaram R$ 83 milhões; em 2004, R$ 98 milhões; em 2005, R$ 617 milhões, e este ano a previsão é de R$ 700 milhões.



No setor de energia foram aprovados 93 projetos de 2003 até junho de 2006 para geração, transmissão e distribuição de energia. Ao todo, eles somam R$ 11,3 bilhões em financiamentos da instituição e R$ 20,8 bilhões de investimento total. No ano passado, o banco liberou R$ 4,6 bilhões em financiamento e este ano, de janeiro a junho, R$ 1,4 bilhão.


O banco fez uma política de regras próprias para os leilões de energia. De 2003 a agosto de 2006 foram aprovados 62 projetos de geração, envolvendo 15 hidrelétricas, três térmicas, 29 pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), 12 de biomassa e 13 de eólica. Ao todo, somaram R$ 7,6 bilhões de recursos do banco equivalentes a um investimento total de R$ 13,2 bilhões. Esses projetos correspondem a mais 10,4 gigawatts na oferta de energia do país.


Na transmissão, no mesmo período, o BNDES financiou 12 projetos, liberando R$ 2 bilhões, ou investimento total de R$ 4,7 bilhões. Na distribuição, foram 19 projetos: R$ 1,7 bilhão financiados em investimentos de R$ 2,9 bilhões.


Na área dos chamados projetos estruturantes, vinculados a insumos básicos, o banco beneficiou mais de uma grande empresa, seus clientes tradicionais, com a linha de limite de crédito, que funciona como um cheque especial para modernização e expansão dessas companhias. Até agora, Gerdau, Copesul, Usiminas, Petroflex e Grupo Ultra receberam este crédito rotativo.


O banco também aprovou grandes projetos na área de celulose: Bahia Sul (linha de R$ 2,5 bilhão), Bahiapulp (R$ 450 milhões), e Klabin (R$ 1,7 bilhão); além das companhias TIM Celular(R$ 1,3 bilhão), Sadia (R$ 974 milhões), mina de Casa de Pedra, da CSN (R$ 733 milhões) e PQU, de R$ 432 milhões, esta na área petroquímica.


Na linha de estimular as empresas e fortalecê-las frente à concorrência internacional, o BNDES criou uma linha de capital de giro para companhias de médio porte, chamada Procomp, programa de competitividade das empresas do setor industrial. Essa linha se destina a recompor e consolidar a competitividade de indústrias com receita operacional bruta de até R$ 300 milhões por ano.


O valor do financiamento será equivalente ao do investimento realizado nos últimos três anos, limitado a 10% do faturamento do último exercício fiscal. O prazo de financiamento é de 36 meses para pagar, com 18 de carência e correção com TJLP mais 3% de spread básico, mais 0,8% de intermediação, além do spread do agente financeiro nas operações indiretas. Nas operações diretas, a remuneração básica do BNDES será de 4,5% ao ano, mais risco de crédito que vai de 0,8% a 1,8%. Nos últimos três anos, o banco vem ampliando a participação das pequenas e médias empresas nos seus desembolsos. Em 2005, elas ficaram com 28% do valor liberado, de R$ 47 bilhões, ante 20% no ano 2000.


O custo do dinheiro no banco também caiu nesse período, com a redução da TJLP e dos spreads cobrados pelo BNDES. As novas políticas operacionais reduziram o custo médio do spread do banco de 2% para 1,4% , dependendo do setor. Se for mais prioritário, leva o spread mais baixo. Caiu também o spread de risco para 1,8% a 0,8%. Com a queda da TJLP para 7,5% ao ano, o custo do dinheiro de longo prazo chegou a níveis civilizados, na faixa de 9,7% a 11,3% nos financiamentos diretos do banco. O indireto é um pouco mais caro, pois embute o spread do banco.


O banco se diz satisfeito com sua contribuição ao esforço de apoio aos setores de máquinas e equipamentos, farmacêutico, de software e eletroeletrônico, conforme definido na política industrial do governo federal, criada em 2004. Os programas para os três primeiros setores fecharam a primeira metade deste ano com pedidos de R$ 4,13 bilhões, sendo R$ 3,416 bilhões já contratados. (Fonte: Valor Econômico)