Construção abre caminho para expansão do PVC
18/09/2006

As perspectivas positivas para o setor de construção civil, que vêm se confirmando principalmente no nível de emprego da indústria, levaram as duas produtoras de PVC, que operam no País a iniciar, a partir de 2005, um novo ciclo de expansão da capacidade instalada. No final do ano, a Braskem concluiu a ampliação em 50 mil toneladas/ano no pólo cloroquímico de Alagoas, alcançando capacidade total de 515 mil toneladas/ano.



A Solvay Indupa anunciou investimentos de US$ 150 milhões, com vistas a ampliar a capacidade de cloro-soda e de PVC, nesta linha para 300 mil toneladas/ano, a partir do quarto trimestre de 2008 em Santo André. Além dos projetos já aprovados, a Braskem tem planos de ampliar em mais 100 mil toneladas/ano sua capacidade total de produção da resina. Inicialmente, a previsão era a de que o anúncio do investimento ocorresse ainda neste ano. Mas, ao revisar de R$ 900 milhões para R$ 750 milhões sua estimativa de aportes em 2006, em razão do fraco desempenho na primeira metade do ano, a empresa postergou os investimentos em PVC. O projeto prevê aumento em 50 mil toneladas/ano na unidade de Alagoas quanto na de Camaçari. De acordo com o presidente da companhia, José Carlos Grubisich, a empresa optou por manter em carteira os investimentos com maior retorno.



Consumo aparente de PVC cresceu 2,2% de janeiro a junho

As estatísticas que sustentam a aposta no crescimento da demanda por vinil, e conseqüentemente os investimentos no parque fabril, vêm tanto da construção civil quanto da indústria química. De acordo com dados do Siresp, de janeiro a junho, o consumo aparente de PVC cresceu 2,2% ante igual intervalo de 2005, para 362,4 mil toneladas. No mesmo período, as vendas internas da resina registraram salto expressivo, de 19,2% para 362,4 mil toneladas. As importações, por sua vez, caíram 5,5%, para 62,7 mil toneladas. As vendas externas também encolheram no semestre, 38,7%, para 22,9 mil toneladas e a produção manteve-se praticamente estável em 322,6 mil toneladas (-0,9%). Ou seja: houve claramente substituição de importações pela resina nacional e, em maior escala, direcionamento de volumes para o mercado doméstico.



Cotações externas do PVC e dos demais termoplásticos subiram cerca de US$ 200/tonelada

O momento também é favorável para os preços da resina no mercado internacional. Segundo o presidente do Siresp, José Ricardo Roriz Coelho, ao longo de agosto, as cotações externas do PVC e dos demais termoplásticos subiram cerca de US$ 200/tonelada. Na China, os valores foram recordes considerando-se o período de 10 anos. Esse movimento, aliado ao aquecimento da demanda doméstica, chegou ao País e os preços também foram reajustados a partir de setembro, pelo segundo mês consecutivo. Para o ano, a expectativa do Instituto do PVC, que reúne toda a cadeia desse segmento, é a de que o consumo interno da resina evolua entre 5% e 6% quando da comparação com 2005, para 725 mil toneladas. A demanda projetada, portanto, seria quase que suficiente para absorver toda a resina produzida no País, 755 mil toneladas/ano, considerando-se a expansão da Braskem em Alagoas e a capacidade atual da Solvay. Além disso, atualmente, a taxa de ocupação da indústria gira entre 85% e 90%. Segundo o diretor-executivo da entidade, Miguel Bahiense Neto, esse cenário é suficientemente positivo para que se inicie um novo ciclo de expansão em PVC.


64% das resinas produzidas no País se destinam à construção civil

Segundo Bahiense, o desempenho da construção civil permite uma análise otimista do crescimento do mercado do PVC, na medida em que 64% das resinas produzidas no País se destinam ao setor. Além das aplicações já tradicionais, em tubos e conexões, o vinil é usado também, e de forma crescente, em esquadrias, forros, portas e fios. O executivo destaca ainda os efeitos positivos que deve ter sobre a indústria a aprovação do marco regulatório do setor saneamento ambiental, cujo texto já passou pelo Senado. Tanto Braskem quanto Solvay recorreram às expectativas otimistas nessas áreas para justificar a aposta na resina. Para se ter uma idéia, um levantamento do Instituto do PVC aponta que o combate ao déficit habitacional do País, estimado em 7 milhões de moradias, pode gerar uma demanda adicional de 145 mil toneladas de vinil entre 2006 e 2015. Na área de saneamento, a universalização dos serviços acrescentaria outras 790 mil toneladas potenciais. (Fonte: AE Setorial)