Insumos assustam petroquímicas
04/09/2006

Aumentos seguidos nos preços de matérias-primas para o setor plástico causam temor nas indústrias do segmento na região. No início de agosto, as companhias petroquímicas fizeram reajustes, em média de 10%, nas resinas termoplásticas (insumo principal dos produtores de peças e embalagens feitos com esse material) e nos últimos dias, houve o anúncio de uma nova rodada de altas, que giram também na casa dos 10%.


Para os produtores de embalagens e artigos de plástico, não há outra opção senão repassar os aumentos, já que as margens de lucro na atividade estão apertadas. “Vamos ter que repassar, não há gordura nos nossos preços”, afirma o presidente da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico), Merheg Cachum.


No entanto, o dirigente ressalta que, como o mercado interno está desaquecido e cresce cada vez mais a concorrência com os importados – a China também é uma ameaça nesse setor –, o crescimento das despesas preocupa. Pressionados por um lado por custos maiores, e por outro, por uma demanda fraca e pelos itens vindos do exterior, muitos produtores sentem dificuldades nas vendas.


O avanço da importação pode ser notado pelos números da balança comercial do segmento. No primeiro semestre, foram US$ 138,3 milhões exportados e US$ 164,6 milhões importados, ou seja, há um déficit de US$ 26,3 milhões. E enquanto as exportações cresceram apenas 2,2%, as compras do exterior subiram 7,86%. Por conta desses fatores, a Abiplast já reduz a estimativa de crescimento do segmento em 2006 em relação ao ano passado, de 7% para 4%. No ano passado, a indústria plástico fechou o ano com R$ 39 bilhões de faturamento.


Desemprego – Para o empresário da região e diretor do Sindiplast (Sindicato da Indústria de Plástico do Estado de São Paulo), José Jaime Salgueiro, esses reajustes vão desembocar em desemprego para as empresas transformadoras. “As indústrias do setor já estão trabalhando no vermelho desde o ano passado”, diz. Salgueiro acrescenta que em sua empresa, a Resiplastic, de Mauá, a matéria-prima representa 60% do faturamento e há um esforço grande para reduzir custos operacionais, “dentro da pouca margem de manobra que temos”.


A companhia produz peças de plástico para o setor agrícola, que tem demanda em baixa. A companhia produz por mês atualmente 110 mil toneladas de peças. No ano passado, o volume girava em 180 mil. O quadro de funcionários gradualmente está menor. “Éramos 120 há dois anos, hoje somos 65.”


Ele avalia ainda que a alta das resinas reflete a política da Petrobras de reajustar a nafta petroquímica (derivado de petróleo) acompanhando o mercado internacional. Assim como o petróleo, que bateu os US$ 75 o barril neste ano, a nafta também vem numa escalada de preços no exterior.



Consumo maior interno e externo explica valor alto

As empresas brasileiras de transformação de plástico, que vinham operando com estoques baixos, terão de se preparar para os próximos meses, porque ao que tudo indica, haverá novos reajustes no país, seguindo as tendências internacionais.

A avaliação é do presidente do (Sindicato das Indústrias de Resinas Termoplásticas do Estado de São Paulo), José Ricardo Roriz Coelho, que afirma que o cenário externo nessa atividade influi fortemente no mercado brasileiro.


No exterior, por conta da alta do petróleo e devido à demanda aquecida tanto na Europa e nos Estados Unidos, quanto em países asiáticos (como China e Índia), os preços da matéria-prima plástica também dispararam.


Segundo o presidente do Siresp, a procura por esses itens foram impulsionadas por fatores como a onda de calor nos Estados Unidos e Europa, que acelera o consumo de descartáveis. O executivo acrescenta que há um movimento de parada de fábricas nos EUA por conta da expectativa de um novo ciclo de furacões naquele país, o que reduz a oferta de matéria-prima norte-americana para os transformadores.


Coelho acrescenta que a demanda das indústrias de plástico no exterior, aliado à alta de preços, tem favorecido as empresas petroquímicas brasileiras. No entanto, ele cita que no mercado doméstico também tem havido expansão (17% no último trimestre) do consumo de resinas. (Fonte: Diário do Grande ABC)