Petroquímicas miram novos nichos com resina de alto valor
27/07/2006

A Braskem e a Suzano Petroquímica ingressam em novos nichos como os segmentos sucroalcooleiro e o de segurança e blindagem a partir da fabricação de resinas de maior performance — conhecidas como mercado de especialidades. Para atender a esta demanda, as companhias aliam aos aumentos de capacidade produtiva já programados novos aportes para obter processos de fabricação otimizados e resinas de alto valor.


A expectativa da Suzano Petroquímica é que, até o próximo ano, o mercado de especialidades passe de 1% para 5% das vendas globais da empresa, o equivalente a 30 mil toneladas por ano. “Para isso, buscamos desde novos grades (linhas) até parcerias com o próprio transformador para a concepção de produtos personalizados”, explica Roberto Ribeiro, coordenador de marketing da empresa. Além dos US$ 34,3 milhões que a Suzano investirá para aumentar em 100 mil toneladas anuais de polipropileno (PP) a capacidade produtiva da sua planta de Duque de Caxias (RJ), a companhia destinou cerca de R$ 6 milhões à troca dos catalisadores da fábrica com o objetivo de melhorar o processo de polimerização da unidade, que entrará em operação no próximo ano. Os maquinários, implantados em junho passado, fizeram com que se adequasse o hardware da planta, com a substituição do filtro de alta pressão e a instalação de uma nova unidade de refrigeração. “Desta maneira, a unidade estará pronta para produzir resinas de alto valor com melhores propriedades físicas e mecânicas”, afirma Ribeiro. Além dos clientes tradicionais como a indústria alimentícia, a unidade fluminense passará a atender à demanda dos setores de fios e fibras, injeção, film cast, ráfia, filmes BOPP e blow e extrusão.


Nessa última linha de trabalho, o principal foco da petroquímica é a indústria alimentícia, que responde por 50% dos negócios da empresa. “O grande gargalo da indústria é o custo energético, por isso a concepção dos produtos visa à geração de maior produtividade e à diminuição de gastos”, avalia Ribeiro. Nesse sentido, a Suzano investe na produção de termopolímeros, especialmente ao segmento de BOPP, que traz a redução de temperatura e do tempo de selagem. Para ganhar produtividade, há a busca por resinas que confiram um produto transformado de menor peso. “Esses copolímeros de alta performance também necessitam de um processamento menos despendioso no que tange à energia”, cita Ribeiro. Ainda no Rio de Janeiro, a Suzano Petroquímica injetará US$ 15,5 milhões na construção de um terminal marítimo para ampliar a capacidade logística de suprimento de propeno, sua principal matéria-prima para fabricação da resina.


Em setembro, a Braskem, pertencente ao Grupo Odebrecht , prevê inaugurar um laboratório para desenvolvimento de novos produtos, nas instalações da antiga Polialden , empresa localizada na Bahia, que foi incorporada pela Braskem e hoje é denominada de PE 2. Para a construção do site, a petroquímica investiu R$ 6 milhões. “O objetivo é detectar novas aplicações para os produtos lá fabricados, especificamente o copolímero de etileno e acetato de vinila (EVA), o polietileno de alta densidade e o plástico de engenharia UTEC”, explica Luís Fernando Cassinelli, diretor de inovação e tecnologia da empresa. No caso do plástico de engenharia, a Braskem é a segunda maior produtora em nível mundial.


De acordo com o executivo, os produtos citados têm potencial de aplicação em novos mercados como o setor sucroalcooleiro. “As resinas podem ser aplicadas em equipamentos utilizados no processo de trabalho das usinas de açúcar como as colheitadeiras, por terem mais resistência a intempéries. Além disso, os grades aumentam a vida útil dos maquinários e reduzem os gastos com manutenção dos mesmos”, detalha. Os plásticos de engenharia também podem ser aplicados no segmento de segurança, como proteção de balística e blindagem. “A utilização deste material é vasta, principalmente em cenários que exijam resistência”, completa Cassinelli. Tanques de guerra e até helicópteros podem usufruir dessas resinas. “É preciso disseminar o uso desses itens no País”, avalia Cassinelli. Atualmente, a PE 2 dispõe de uma capacidade produtiva de 100 mil toneladas anuais de polietileno de alta densidade.

Já na antiga unidade da Politeno , empresa cujo controle a Braskem adquiriu também neste ano, a petroquímica investirá US$ 10 milhões, para desenvolvimento de novos produtos e ampliação produtiva para 400 mil toneladas anuais.


Lá, a empresa produzirá o EVA com um teor de acetato superior a 28%, o que produzirá uma resina com maior adesividade, direcionada ao setor de hot melting. “Trata-se de um novo mercado para a empresa”, assinala Cassinelli. Por ano, a Braskem investe R$ 50 milhões na pesquisa de novos produtos. (Fonte: DCI)