Braskem poderá incorporar a Politeno, diz Cade
20/07/2006

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, ontem, por unanimidade, a compra da Politeno pela Braskem. O negócio foi concluído, em março, por meio da compra das ações que os grupos Suzano, Itochu e Sumitomo tinham na Politeno. A Braskem detinha 30% das ações da Politeno antes da operação.


O curioso é que, mesmo com essa participação, a Politeno fez oposição à criação da Braskem - a união dos grupos Odebrecht e Mariani no pólo de Camaçari, na Bahia - junto ao Cade. A criação da Braskem foi aprovada em setembro de 2005 pelo órgão antitruste.


Ontem, o relator da compra da Politeno, conselheiro Paulo Furquim, concluiu que o Cade deveria levar em consideração os impactos do mercado internacional sobre o Brasil na petroquímica. Ele explicou que a Braskem é uma central de venda de eteno. A Politeno compra eteno da empresa e usa o produto para fazer polietileno, uma resina plástica utilizada nas indústrias automotiva, de embalagens e construção civil, entre outras.


Furquim explicou que a Braskem é a única fornecedora de eteno no Pólo de Camaçari. E que ela também atua na segunda geração, ou seja, também produz a resina. Logo, não haveria um problema para a concorrência no fato de adquirir uma empresa que compra os seus produtos e que, ao mesmo tempo, é sua concorrente direta?


O conselheiro concluiu que não. "No ano passado (no julgamento da criação da Braskem) foi considerado como se fossem empresas concorrentes (a Braskem e a Politeno)", explicou. "Mas, verifica-se, hoje, que não existe a possibilidade de se elevar preços (de eteno) no Brasil sem considerar os efeitos do mercado internacional", disse.


Furquin votou pela aprovação do negócio por considerar que os preços do mercado externo é que determinam o valor do eteno no Brasil. Os demais conselheiros do Cade seguiram o voto de Furquim.


"O Cade entendeu que o mercado de Polietileno é influenciado pelos preços cotados no mercado externo", disse Maria Cecília Andrade, sócia do escritório Mattos, Muriel, Kestener Advogados, que atuou para a Braskem. "Portanto, o setor no país deve ser analisado do ponto de vista antitruste dentro da dinâmica do mercado mundial". (Fonte: Valor Econômico)