Alta no consumo de plásticos demanda mais resinas brasileiras
20/07/2006

As fabricantes brasileiras de resinas termoplásticas como Braskem, Petroquímica Triunfo e Ipiranga Petroquímica (IPQ) estão compensando a perda de mercado argentino, por conta do subsídio local a várias itens, com o aquecimento da demanda do país vizinho, em especial nos últimos três meses.


Apesar de o produto argentino ser comercializado a um preço que chega a ser de 10% a 15% inferior ao praticado pelas petroquímicas brasileiras, o que dificulta as exportações para aquele país, o aumento de consumo de plástico na Argentina, que cresceu a uma taxa de 9% somente no primeiro semestre deste ano, faz com que o Brasil ainda seja o principal fornecedor de resina à Argentina. No entanto, é preciso trabalhar com um política de vendas diferenciada. “No final de 2005 e início deste ano, o governo argentino impôs um congelamento de preço a vários elos industriais por conta da pressão inflacionária na região. Porém, esse quadro não deve durar muito tempo por reflexo da própria relação de mercado”, avalia Otávio Carvalho, consultor da MaxiQuim. Atualmente, a Argentina é deficitária na produção de polietileno de baixa densidade. Segundo a Câmara Argentina da Indústria Plástica (Caip), no ano passado, o país vizinho importou cerca de 149,8 mil toneladas do referido produto.


No caso do polipropileno, a Argentina produziu 263,3 mil toneladas e importou 25,8 mil toneladas. As principais produtoras de resinas (polietileno e polipropileno) no país são a Dow Chemical, a Petroken e a Petroquímica Cuyo. “E elas não têm planos de aumento produtivos expressivos, nos próximos anos, o que reforça o comércio do país com o Brasil”, reitera Carvalho.


Com cerca de 24% de suas exportações destinadas à América do Sul, onde a Argentina é o principal destino, a Braskem reconhece a política de preço subsidiado do país vizinho como entrave para exportação. “Mas é um mercado importante, tanto do ponto de vista importador como exportador”, avalia Alexandrino Alencar, vice-presidente de relações institucionais da Braskem. Dados da MaxiQuim apontam que as exportações destinadas à Argentina retomaram fôlego neste primeiro semestre, participando com cerca de 25% do total de produtos plásticos transformados destinados ao exterior, praticamente o mesmo valor registrado no mesmo período do ano passado. As vendas ao país vizinho, que representaram 35% do total negociado pelo Brasil em 2001, caíram para 15% a partir da crise econômica do país, em 2002, e, atualmente, voltaram a patamares de 20% e 25%. (Fonte: DCI)