Expectativa de um semestre melhor
13/07/2006

O mau desempenho da economia em 2005 refletiu em vários segmentos da indústria. A taxa de crescimento do país esteve aquém das expectativas gerais, provocando uma atmosfera de "ressaca" nos primeiros meses de 2006. Alguns setores conseguiram uma performance melhor, como o automobilístico, o cosmético, o alimentício e outros que vinham bem pelas exportações, mas desaceleraram em virtude do câmbio. A indústria de resinas plásticas também sofreu o impacto do câmbio e dos juros, mas, apesar disso, conseguiu ensaiar uma recuperação já no primeiro semestre deste ano.


Entre os fatores que contribuíram para um desempenho abaixo do esperado destacamos os aumentos consecutivos no preço do petróleo, conseqüentemente nas matérias-primas petroquímicas, que registraram recordes históricos de elevação de preço, comprometendo nossas margens e nos deixando, muitas vezes, sem condições de repassar os custos das matérias-primas petroquímicas que são reajustadas mensalmente, para os clientes - a indústria de transformação.


Entretanto, alguns acontecimentos na economia, no primeiro semestre, sinalizaram com perspectivas de melhora para o período seguinte. Destacamos: o aumento real do salário mínimo, que aumentou o poder de compra de uma grande parcela dos trabalhadores; a redução da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), usada para financiamentos produtivos, que caiu para cerca de 7% ao ano, as tímidas, mas contínuas reduções nas taxas de juros; a inflação sob controle e a desvalorização do real frente ao dólar, conferindo uma ligeira recuperação nas exportações brasileiras.


A perspectiva é que o segundo semestre de 2006 seja melhor do que o mesmo período de 2005 e que o primeiro semestre deste ano. É importante ressaltar que, diante dessa expectativa, nossa economia está cada vez mais se deslocando da política. Podemos observar que, apesar da crise que permeou o ambiente nos últimos meses, a economia deu sinais de que segue sem influência da política, relação muito comum em um passado recente.


Mesmo diante de um cenário econômico que ainda oferece muitos obstáculos, é possível acreditar que a dinâmica da economia no segundo semestre, tradicionalmente mais intensa, possibilitará maior movimentação de negócios para a indústria petroquímica e do plástico.


Ainda que os problemas persistam, não é motivo para alarme, pois outras nações consideradas emergentes, como China e Índia, também convivem com dificuldades semelhantes aos nossos. Mesmo assim, adotaram uma estratégia voltada para o desenvolvimento e estão em situação melhor do ponto de vista da competitividade. Esse é um exemplo no qual o Brasil deve se espelhar.


Entretanto, não é aconselhável adiar por muito tempo a questão dos altos custos da matéria-prima na indústria petroquímica, pois a situação é considerada emergencial para a nossa cadeia produtiva. O fato de não trabalhar com margens compatíveis compromete o aumento de competitividade do setor e atinge a economia como um todo, já que o nosso segmento está diretamente ligado a muitos setores importantes da economia brasileira. É urgente encontrarmos uma solução, sob o risco de afetar a competitividade do mercado petroquímico brasileiro e afastar futuros investimentos no setor, que são fundamentais tanto para o desenvolvimento da indústria, quanto da economia. A cadeia produtiva do plástico no Brasil conta com uma capacidade produtiva superior a 4 milhões de toneladas anuais e fatura aproximadamente R$ 45 bilhões de reais, empregando mais de 310 mil pessoas. (Fonte: Gazeta Mercantil)