Aumenta verba para a petroquímica
10/07/2006

As perspectivas de importação de resinas termoplásticas nos próximos anos têm mobilizado as empresas do setor petroquímico, que ampliaram, em 2006, os investimentos em novas unidades de primeira e segunda gerações. Como resultado, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ampliou em 16,5%, para R$ 662 milhões, a previsão de desembolsos totais para o setor em 2006, que no ano passado se limitou a R$ 568 milhões. Ao todo, a carteira de projetos petroquímicos do banco engloba um volume total de R$ 1,29 bilhão.


Outro termômetro da urgência conquistada pela petroquímica nacional, até pelo peso que exerce sobre a balança comercial, é o novo plano de negócios da Petrobras. A empresa anunciou, na semana passada, uma ampliação de US$ 1 bilhão do total de recursos destinados ao setor nos próximos seis anos. A previsão, que se limitava a US$ 2,3 bilhões no plano anterior (2006-2010), agora envolve um montante de US$ 3,3 bilhões, com destaque para o projeto do novo Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), que será erguido no município de Itaboraí (RJ).


Diante da perspectiva de uma participação de, no máximo, 20% do BNDES nesse empreendimento, a tendência é que a Petrobras consiga dobrar a resistência do grupo Ultra, o outro sócio no projeto de US$ 6,5 bilhões. Com isso, deverá atrair novos sócios. O empresário Paulo Cunha, principal executivo do Ultra e considerado uma figura histórica da petroquímica nacional, chegou a manifestar mais de uma vez a contrariedade com a intenção da petroleira abrir o projeto para a entrada de novos sócios.


De qualquer forma, como o volume contemplado pelo novo plano de negócios é insuficiente para dar conta de todos os empreendimentos previstos pela petroleira, a tendência é que a estatal não tenha como viabilizar o complexo sem outros sócios. Se prevalecer o desenho inicial, a Petrobras e o Ultra teriam que desembolsar US$ 1,4 bilhão, cada um, só para a primeira fase do projeto.



Projetos em curso

Além do Complexo do Rio, a carteira de projetos petroquímicos da Petrobras também engloba as obras do Complexo Acrílico de Minas Gerais, a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados prevista para a região Centro Oeste e operação da produtora de PTA (insumo para fabricação da resina PET, usada em garrafas plásticas) em Pernambuco, em parceria com a italiana M&G. Os recursos também contemplarão a expansão da Fafen, fábrica de fertilizantes, na Bahia. Com exceção da unidade de PTA, todos os demais empreendimentos não dispõem ainda de sócios.Outros grupos também desenvolvem projetos, com vistas à expansão das unidades de primeira e segunda gerações. Só na carteira do banco, seis deles devem resultar em novos desembolsos nos próximos dois anos. São eles as expansões da Petroquímica União (PQU), dos atuais 467 mil toneladas para 700 mil toneladas, da Polietilenos União, dos atuais 120 mil toneladas para 320 mil toneladas, e da Carbocloro, de 200 mil toneladas para 300 mil toneladas. Todos os empreendimentos são liderados pela Unipar, a maior acionista, e demandarão investimentos de R$ 1,6 bilhão, dos quais R$ 772 milhões serão financiados pelo BNDES.


A Braskem também investirá R$ 750 milhões em projetos de expansão e modernização das unidades em Maceió (AL), Camaçari (BA) e Triunfo (RS). Desse total, R$ 380 milhões resultarão de desembolsos do BNDES. Também estão previstos empréstimos de R$ 93 milhões do banco para a Suzano Petroquímica ampliar duas unidades da antiga Polibrasil, nos municípios de Duque de Caxias (RJ) e Mauá (SP). A capacidade da primeira será ampliada dos atuais 200 mil toneladas/ano para 300 mil toneladas, enquanto a segunda, dos atuais 300 mil toneladas para 450 mil toneladas. Os dois projetos demandarão investimentos de R$ 201 milhões. (Fonte: Gazeta Mercantil)