Capacidade instalada da indústria continua crescendo em maio
08/07/2011

A utilização da capacidade instalada da indústria continua crescendo, com alta de 0,2 ponto percentual em maio, atingindo o patamar de 82,4% no mês, na série livre de influências sazonais, apurada pela pesquisa dos Indicadores Industriais, divulgados ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Apesar disso, o levantamento indica uma queda no faturamento da indústria de 1,3%, com recuo de 0,5% nas horas trabalhadas na produção em maio na comparação com abril. - No mesmo período, o emprego aumentou 0,4%. Depois de dois meses de queda, os salários subiram 1,8% em maio frente a abril. O rendimento médio dos trabalhadores aumentou 1,1% no período. "Os indicadores confirmam que há uma desaceleração do ritmo da atividade", disse o economista Marcelo de Ávila, da Unidade de Política Econômica da CNI.

A pesquisa mensal mostra que, desde janeiro, há uma alternância entre queda e crescimento dos dados pesquisados. Parte dessa volatilidade se deve ao calendário atípico de 2011, com o carnaval em março e a Semana Santa em abril. Apesar do efeito calendário, não há uma tendência de crescimento contínuo da atividade", disse Ávila. "Neste ano, a indústria não terá o mesmo crescimento de 2010."

Entre os 19 setores pesquisados pela CNI, o de produtos de metal, que fabrica estruturas metálicas, embalagens, ferramentas entre outros, teve o melhor desempenho em maio. O faturamento do setor aumentou 12,4%, as horas trabalhadas na produção subiram 5%, o emprego teve expansão de 2,1% em maio na comparação com o mesmo mês do ano passado. A utilização da capacidade instalada do setor aumentou 0,1% depois de uma queda de 0,8% no período imediatamente anterior. O pior resultado foi o da indústria de vestuário, com queda de 6,7% no faturamento.

A indústria está perdendo espaço na economia brasileira, na avaliação do diretor executivo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José Augusto Fernandes. "Nos últimos anos, o setor reduziu a participação no Produto Interno Bruto (PIB), no emprego e nas exportações. Mas os instrumentos para frear esse processo estão nas mãos do governo e do Congresso", disse, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) que discutiu os riscos de desindustrialização.