Carga tributária e custo do crédito são entraves ao investimento
20/06/2011

O custo do financiamento e a carga tributária elevada foram os principais fatores de limitação dos investimentos em capital fixo na indústria de transformação previstos para este ano. A Sondagem de Investimento, divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV), apontou que, das empresas com dificuldade para realizar investimentos em capital fixo neste ano, 42% apontaram a carga tributária elevada como um entrave considerável, percentual que atingiu 33% para o custo do financiamento.

Das 812 companhias pesquisadas, apenas 33% afirmaram encontrar problemas para realizar investimento em 2011, mesmo percentual do ano passado, mas bem abaixo dos 87% de 2009, ano em que os efeitos da crise internacional ecoavam na economia brasileira.

Para Aloisio Campelo, economista do Ibre-FGV, as altas da taxa básica de juros e os ajustes feitos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no Programa de Sustentação do Investimento (PSI) contribuíram para o aumento da percepção de que o custo e a carga tributária limitam o investimento. No ano passado, do universo de empresas que afirmaram ter problemas para investir, apenas 26% citaram os dois quesitos como limitantes.

Por outro lado, a limitação de recursos da empresa foi informada como gargalo ao investimento por 34% das companhias com dificuldade. Apesar de o percentual ser ligeiramente maior que o de companhias com receios sobre o custo do investimento, o quesito teve forte queda na participação, já que no ano passado 42% das indústrias com problemas para investir citaram a falta de recursos próprios.

"Em abril e maio, quando a pesquisa foi realizada, poderia haver a percepção de que os ajustes no PSI, feitos em março, afetariam a capacidade de investimento", frisou Campelo.

Em relação ao total de companhias pesquisadas, a limitação de recursos da empresa e o custo do financiamento foram citados por 11% das companhias, enquanto a carga tributária elevada foi vista como barreira ao investimento por 14% dos entrevistados.

Em relação aos setores, 39% os fabricantes de bens de consumo veem dificuldade para investir. Nesse universo, 41% dos bens de consumo não duráveis citaram limitações ao investimento, enquanto o percentual foi de 32% para os bens de consumo duráveis. Nos bens de capital o percentual foi de 34%, com 32% das empresas fabricantes de bens intermediários com limitação ao investimento.

Dentro dos segmentos industriais, 47% das empresas de vestuário e calçados apontaram o custo do financiamento como limitação para o investimento em 2011, percentual que atingiu 43% nas companhias de material de transporte e 40% entre as indústrias químicas. Já em relação à carga tributária elevada, os maiores percentuais de companhias que apontaram esse fator como barreira ao crescimento foram dentro dos segmentos de material elétrico e de comunicação, com 66%; mecânica, com 61%; e matérias plásticas, com 61%.

Campelo chamou a atenção para as empresas que apontaram as incertezas acerca da demanda como um entrave ao investimento em 2011. Apesar de apenas 19% das empresas com dificuldade para investimento ter apontado essa justificativa como um entrave considerável, a abertura por segmentos mostra que o problema é maior entre as companhias que sofrem com a concorrência estrangeira. Essas incertezas foram citadas por 45% das empresas de material elétrico e de comunicação com dificuldade para investir; por 37% das empresas da área metalúrgica; 32% das indústrias de material de transporte; e 32% das empresas do setor têxtil com dificuldade para investir.

Já as companhias que têm foco no mercado interno, especialmente de construção civil, mostraram pouca preocupação com a demanda futura. Daquelas que afirmaram ter dificuldade para investir dentro do segmento de minerais não metálicos apontaram as incertezas acerca da demanda como um gargalo, percentual que foi de apenas 10% entre as indústrias plásticas.

"Os setores ligados à construção civil estão mais otimistas com a demanda", afirmou Campelo.