Braskem estuda a construção de central petroquímica nos EUA
13/05/2011

A competitividade do gás natural nos Estados Unidos alterou a percepção da Braskem em relação ao potencial de investimentos naquele mercado. Atenta à expansão da oferta local de gás de xisto (shale gas), uma espécie de nova rota de exploração do gás natural, a brasileira já estuda a possibilidade de construir uma central petroquímica nos Estados Unidos.

O projeto, caso se materialize, poderia seguir os moldes do complexo da Braskem já em construção no México, composto por uma central e três linhas de produção de polietileno, estimado em US$ 2,5 bilhões.

"Uma empresa do nosso tamanho tem possibilidade de manter grupos olhando oportunidades distintas, e nesse momento já temos uma equipe fazendo avaliação preliminar da competitividade de uma central que usaria gás nos Estados Unidos", disse em entrevista à Agência Estado o presidente da petroquímica, Carlos Fadigas.

O tema gás de xisto está em discussão dentro da Braskem há pouco menos de um ano. O avanço da exploração do insumo, que mudou as perspectivas da indústria energética americana, passou a ser acompanhado de perto pela companhia brasileira após a aquisição de fábricas de polipropileno (PP) da Sunoco nos Estados Unidos, no início de 2010.

Fadigas, na presidência da Braskem America (ex-Sunoco) ao longo do ano passado, observou a mudança que a nova rota energética provocou na indústria petroquímica americana. "O shale gas foi uma mudança rápida que surpreendeu muita gente. Até três anos atrás, os Estados Unidos estavam em processo de fechamento de unidades. De um ano e meio para cá, entretanto, o discurso já é de religamento de fábricas", diz. A próxima etapa desse processo, na visão de Fadigas, é justamente a confirmação da construção de novas centrais petroquímicas nos Estados Unidos.

O efeito do shale gas na indústria petroquímica local é tamanho que, segundo Fadigas, somente 14% das centrais petroquímicas chamadas de flexíveis, por terem capacidade de processar diferentes matérias-primas, ainda operam com nafta.

Mas ele ressalva que a construção de uma central petroquímica não é a única opção em análise pela Braskem nos EUA. A compra de ativos, assim como ocorreu no caso das fábricas da Sunoco, também é uma alternativa. "Falamos de oito produtores nos Estados Unidos, e ninguém anunciou até o momento o interesse em vender ativos. Mas, caso isso ocorra, todos eles sabem o interesse que a Braskem tem pela América do Norte", disse.

Resinas. A Braskem também analisa com atenção a possibilidade de ampliar a presença nos mercados de polipropileno e polietileno (PE) com novas aquisições no segmento de resinas. O segmento de polipropileno, no qual a Braskem é a quarta maior produtora dos EUA e a terceira maior em escala global, é observado com especial atenção, uma vez que a diferença entre a companhia brasileira e a líder do mercado é de 50% do total produzido, e a Braskem tem operações locais há apenas um ano. "Temos 11 concorrentes de polipropileno e, à medida que alguns desses saiam do mercado, podemos almejar a liderança", disse.