A indústria prepara ofensiva contra China
28/04/2011

A indústria brasileira prepara uma nova ofensiva para combater o avanço dos chineses sobre o mercado nacional. O setor de máquinas e equipamentos entrará amanhã com mais quatro pedidos de salvaguarda contra Pequim. As ações serão apresentadas pela Associação Brasileira de Máquinas e Equipamento (Abimaq) ao Departamento de Defesa Comercial (Decom). Um dos produtos que terão petição é a bomba centrífuga; os outros três não foram revelados por questão estratégica do setor.

Em 12 de abril, a entidade já havia entrado com pedidos que visavam aplicações restritivas para chave-de-fenda, válvulas borboleta e caminhão-guindaste. Estas petições estão em fase de análise.

De acordo com o diretor de Comércio Exterior da Abimaq, Klaus Müeller, esta é a primeira vez que o Brasil entra com recurso contra a China.

E as ações não devem parar por aí. Em longo prazo, estão sendo desenvolvidos estudos para mais 13 salvaguardas. "Das 1.248 nomenclaturas que representamos, constatamos problemas em relação ao preço de exportação de pelo menos 814", disse Müeller.

Segundo ele, a desorganização de mercado criada pela China pode causar surtos de perda de market share (participação) e redução de faturamento, "tudo porque é um player que está atuando de forma inadequada ou desleal".

Se o processo de defesa comercial for aprovado pela Organização Mundial do Comércio (OMC), medidas tarifárias ou cotas podem ser estabelecidas para dificultar a entrada de produtos chineses. "O melhor seriam as cotas, pois estabelecem limites quantitativos do que pode chegar ao Brasil", afirma o diretor. Segundo Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a concorrência dos produtos brasileiros frente aos produtos chineses está sendo estudada pela equipe de técnicos e economistas da Fiesp para que seja traçado um plano estratégico e este seja utilizado pelo governo federal.

"O ideal para o Brasil é mudar a atual relação que temos com a China. É preciso haver um equilíbrio melhor na nossa balança, no sentido de não vender produtos com menor valor agregado e comprar manufaturas", diz Skaf.

Para o presidente da Fiesp é preciso ainda que se corrija a distorção cambial entre os dois lados. "Temos que respeitar os interesses e economias de ambos os países", afirma.