Fiesp alerta para maior participação das importações na economia
18/11/2010

SÃO PAULO – O Coeficiente de Importação (CI), indicador elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), tem apresentado consecutivas elevações desde o terceiro trimestre do ano passado, quanto estava no patamar dos 18,1%, até o terceiro trimestre deste ano, quando alcançou o recorde histórico de 22,7%.

A alta do indicador, que mostra a relação entre as importações e o consumo aparente no país, evidencia o aumento da penetração das importações na economia brasileira. “Mantida essa tendência, eu não me surpreenderia se chegássemos aos 30% daqui a seis meses. Isso é preocupante”, afirmou o diretor de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca.

O levantamento da Fiesp enfatiza ainda o descolamento cada vez mais intenso que se observa entre o coeficiente de exportação (CE), que mede a relação entre as exportações e a produção no país, e o coeficiente de importação ao longo do último ano. No terceiro trimestre de 2009, o CE estava no patamar de 18,2%, enquanto entre julho e setembro deste ano, ficou em 19,2%.
Segundo a pesquisa, todos os setores analisados apresentaram avanço no CI, com exceção da indústria extrativa.

Entre os setores que impulsionaram o indicador, o destaque do terceiro trimestre foi para o de máquinas e equipamentos para fins industriais e comerciais, cujo coeficiente ficou em 51,4%, avançando 11,6 pontos percentuais frente ao mesmo período do ano passado.

Os setores químico e siderúrgico também foram enfatizados. No primeiro, o CI saiu de 26,7% para 30,2%, enquanto no segundo, o indicador passou de 8,6% para 17,3%. “A siderurgia estava acostumada a CIs baixos, quase não havia concorrência com o aço importado. Agora, o aço importado chega ao Brasil em alta velocidade”, afirmou o diretor da Fiesp.

Fonseca ressaltou que os setores commoditizados e de baixo valor agregado são os que têm impulsionado as exportações, o que mostra uma desindustrialização do país. Mas no agregado, o CE tem crescido, puxado principalmente pelo setor de alimentos e bebidas, cujo indicador ficou em 27,8% no terceiro timestre.

A crítica da Fiesp se baseia na deterioração das exportações do país, diante dos consequentes déficits na balança comercial de manufaturados. Os resultados negativos têm sido verificados desde 2007 - quando apresentou a soma de US$ 8,9 bilhões – e pode chegar a US$ 60 bilhões até o fim deste ano. Para 2011, as projeções da Fiesp apontam para déficit de US$ 70 a US$ 80 bilhões.