Indústria aponta reação da demanda externa
01/10/2010

A procura por produtos industriais brasileiros no Exterior reagiu e voltou a alcançar sua média histórica, depois de dois anos abaixo desse patamar. Foi o que apurou a pesquisa Sondagem da Indústria de Transformação, da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Em setembro, o indicador de demanda externa atingiu 97 pontos, o melhor resultado desde setembro de 2008 (101 pontos) e um pouco acima da média histórica dos últimos dez anos (95,9 pontos). O pior resultado do indicador foi registrado em março de 2009, com 62,2 pontos.

De acordo com o coordenador da sondagem, Aloísio Campelo, a recuperação se deu de forma lenta ao longo dos dois últimos anos e sofreu aceleração nos últimos dois meses. De dezembro de 2009 até julho deste ano, a demanda externa subiu apenas 4 pontos e nos últimos dois meses aumentou 3,4 pontos.

"É preciso esclarecer, porém, que essa recuperação não se deu em todos os segmentos", afirmou. Segundo ele, os principais destaques foram: alimentos, farmacêuticos e bens de capital.

Por outro lado, vestuário, calçados e têxteis tiveram queda na demanda externa nos últimos meses. Outra característica destacada por Campelo é que a recuperação se deu entre os mercados asiáticos e da América Latina, mas não para os setores que tradicionalmente exportam para os Estados Unidos e Europa.

No Grande ABC, a reação das exportações também é percebida, embora alguns segmentos ainda sintam dificuldades na inserção no mercado externo, segundo o diretor titular da regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de São Caetano, William Pesinato.

O dirigente, que é empresário do ramo de equipamentos hospitalares, cita que em seu ramo de negócios praticamente não houve queda no ano passado, mas que a área automobilística caiu bastante e agora há retomada.

De acordo com dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), de janeiro a agosto, houve crescimento de 63,7% (em valores) no total negociado ao Exterior.

A sondagem da FGV apurou ainda que os empresários brasileiros estão mais confiantes, com a perspectiva de aumento da produção nos próximos meses. Para Pesinato, os aumentos salariais obtidos pelo setor metalúrgicos da região podem se traduzir em melhora do consumo, gerando demanda para as empresas ampliarem o volume de fabricação.