Embalagens e nomes inspirados nas marcas líderes são armas para vender
20/07/2010

Além do preço, as fabricantes de produtos destinados às classes D e E lançam mão de outros artifícios para garantir a entrada no carrinho do consumidor. Ter a embalagem parecida com a da marca líder é uma das armas dessas empresas.

Entre os produtos de higiene pessoal, os absorventes higiênicos da marca Seja Livre chamam atenção na prateleira dos supermercados de periferia. Produzidos pela empresa fluminense Aloés, o pacote com 8 unidades custa R$ 0,99. Já a marca que "inspirou" o nome Seja Livre, a Sempre Livre, da Johnson & Johnson, sai por R$ 1,49.

Outro produto que surpreende é o da linha de cereais matinais da Alca Foods, com sede em Itumbiara (GO). Lembrando a marca líder Kelloggs, cujo mascote é o tigre Tony, todos os cereais da Alca Foods têm um leão sorridente estampado na caixa do produto. "Um é o rei da selva, o outro não é", diz, brincando, o diretor comercial da empresa, Roberval Dias Martins.

A ideia do leão, segundo ele, não é confundir o consumidor, mas fazer uma versão "mais brasileira" do produto. É por isso, segundo ele, que um dos cereais chama-se "ChocoBol" e não "ChocoBall", em inglês.

Alguns fabricantes chegam a operar com liminares obtidas na Justiça, para deixar de pagar a diferença de ICMS entre os Estados. Isso acontece principalmente com empresas de Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina, em relação ao ICMS paulista. "Esses fornecedores fazem o possível e o impossível para vender mais barato, pois o preço é o único instrumento que eles têm como diferencial", explica Martinho Paiva Moreira, vice-presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas).