Braskem recebe licença de operação da planta verde
14/07/2010

A Braskem ainda não começou a fabricar seu polietileno verde (proveniente do etanol da cana-de-açúcar), mas já fechou acordos envolvendo aproximadamente 80% da sua futura produção. Segundo o vice-presidente de Petroquímicos Básicos da companhia, Manoel Carnaúba, os clientes concentram-se principalmente na Europa, vindo após os mercados norte-americano e asiático.

A Braskem planeja manter parte do volume ainda descontratado, porque a intenção é realizar um marketing global da resina. "Há um apelo ambiental muito forte e queremos que o mundo conheça essa opção", diz Carnaúba. A nova unidade da Braskem no polo de Triunfo terá capacidade para produzir em torno de 200 mil toneladas ao ano de eteno verde, que serão transformadas pelas próprias plantas da empresa no local em outras 200 mil toneladas da resina polietileno verde. Em torno de 2,2 mil trabalhadores participaram da construção do empreendimento, iniciada em abril de 2009.

O termo verde é empregado a essa resina, porque como a sua matéria-prima é o etanol da cana-de-açúcar, durante o ciclo de vida da planta ela absorve gás carbônico da atmosfera. Fora isso, o plástico tem as mesmas características físicas do oriundo do petróleo, podendo ser empregado nas indústrias automobilística, de brinquedos, de embalagens etc. O complexo da Braskem implicará investimento de cerca de R$ 500 milhões e mais R$ 100 milhões foram destinados às plantas de polietileno para aumentar sua capacidade e para que possam trabalhar com o eteno verde.

Carnaúba informa que a operação da unidade será iniciada no mês de agosto, antecipando em cerca de 60 dias o cronograma original.

O conselheiro da Braskem Alfredo Tellechea destaca que, mesmo com a crise econômica enfrentada recentemente, o projeto não foi desacelerado. Ele salienta ainda que somente o Rio Grande do Sul possuirá, no País, neste momento, a produção de uma resina verde, pois outros empreendimentos dessa natureza foram postergados devido à crise.

"Dessa vez não funcionou o balde de caranguejos, trabalhamos todos juntos", afirma a governadora Yeda Crusius. Na tarde de ontem, a Braskem recebeu da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) a licença de operação da planta verde. O álcool que será utilizado como matéria-prima, inicialmente, será proveniente de vários estados produtores como São Paulo, Paraná, Goiás e Mato Grosso. A unidade de Triunfo consumirá cerca de 470 milhões de litros de etanol ao ano, que chegarão ao Rio Grande do Sul através de cabotagem, ferrovias e rodovias.

Futuramente, a Braskem poderá adquirir etanol gaúcho para atender às suas necessidades. Yeda adianta que a unidade da empresa transformará o Estado quanto à produção de cana-de-açúcar. Para que isso se confirme, a governadora anunciou a criação de um comitê que irá tratar da autossuficiência na produção de etanol no Rio Grande do Sul. Ela explica que o comitê dará subsídios ao governo para induzir a plantação de cana em alguns municípios do Estado.

O presidente do comitê, secretário do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais, Josué Barbosa, detalha que a ideia é montar um grupo para tornar o Rio Grande do Sul autossuficiente até 2020. Esse conjunto abrangerá secretarias, representantes da iniciativa privada e de institutos de pesquisa na área de agricultura. Barbosa lembra que o zoneamento da cana aponta mais de 200 municípios aptos a cultivar a planta no Rio Grande do Sul. Carnaúba revela que está confiante de que a produção local seja atrativa economicamente para a Braskem. Para a inauguração da unidade em Triunfo, além de secretários estaduais e da governadora Yeda Crusius, a companhia pretende convidar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.