Ebtida da Braskem alcança R$ 2,5 bilhões no ano de 2009
05/03/2010

A Braskem ocupou posição de destaque entre as empresas petroquímicas que, em 2009, se valeram das oportunidades de crescimento proporcionadas pela crise econômica global. Demonstrando ter adequado sua estrutura de custos e de capital para enfrentar o ciclo de baixa do setor, a Braskem foi capaz de aproveitar o cenário de crise para fazer aquisições relevantes. Além da agenda estratégica, o foco na manutenção da eficiência operacional permitiu à Braskem uma evolução significativa em seu desempenho, atingindo um EBITDA de R$ 2,5 bilhões e uma margem EBITDA superior a 16%, uma das mais altas da petroquímica global no período.

Depois de um período inicial marcado por forte retração do consumo doméstico e internacional em razão da crise econômica, que levou a Braskem a operar suas fábricas com 55% de sua capacidade nominal até o final de janeiro, o mercado brasileiro de resinas termoplásticas fechou 2009 com um crescimento de demanda de 1% em relação ao ano anterior. A recuperação foi intensificada durante o segundo semestre, com um crescimento de 18% na comparação com o primeiro semestre. As importações continuaram a ter uma participação relevante no mercado brasileiro, 22%, devido à volatilidade de preços no mercado internacional e à menor demanda dos países desenvolvidos, além da apreciação do real ao longo do ano.

Diante desse cenário, as vendas domésticas de PP da Braskem cresceram 9% em relação ao ano anterior, impulsionadas pela recuperação de alguns setores da economia, como o automobilístico, linha branca, descartáveis, brinquedos, etc. Já as vendas domésticas de PE e PVC apresentaram redução de 2 e 8%, respectivamente. No agregado das resinas termoplásticas, o volume vendido no mercado doméstico ficou praticamente em linha com 2008, atingindo 2,2 milhões de toneladas. Considerando também o mercado de exportação, o volume total de resinas vendidas aumentou 10%.

“A recuperação do mercado brasileiro em 2009 e as perspectivas de forte crescimento da economia doméstica para 2010 traçam um cenário favorável para o desenvolvimento dos negócios da Braskem neste ano. Mantida a normalidade econômica, a expectativa para a indústria petroquímica nos primeiros meses de 2010 é positiva, mas vale ainda lembrar que o anúncio de entrada de novas capacidades, principalmente no Oriente Médio e Ásia, é bem superior ao crescimento da demanda mundial, o que deverá pressionar novamente a rentabilidade do setor”, diz Bernardo Gradin, presidente da Braskem.

A receita bruta consolidada da Braskem foi de R$ 19,5 bilhões em 2009, comparada a R$ 23,8 bilhões em 2008, com queda de 18%. Da mesma forma, a receita líquida consolidada da Braskem foi de R$ 15,2 bilhões em 2009, 18% abaixo da receita de R$ 18,5 bilhões registrada no ano anterior. Essa redução é explicada principalmente pelo patamar de preços de resinas e de petroquímicos básicos significativamente inferiores ao apresentado no ano anterior, quando a escalada dos preços de matéria-prima impulsionou os preços internacionais desses produtos.

Em 2009 a receita líquida com exportações foi de US$ 2,1 bilhões (27% da receita líquida total), registrando uma queda de 7% em relação ao ano anterior. Mais uma vez, a queda dos preços internacionais influenciou tal desempenho, visto que os volumes exportados de resinas e petroquímicos básicos aumentaram, respectivamente, 67% e 29% entre os períodos.

O lucro líquido da Braskem em 2009 alcançou R$ 917 milhões, um aumento de 3,4 bilhões com relação ao prejuízo de R$ 2,5 bilhões de 2008. Ainda que a adesão ao Refis tenha impactado negativamente o lucro líquido em cerca de R$ 638 milhões no 4T09, o bom desempenho operacional e a apreciação do real perante o dólar proporcionaram a recuperação dos resultados da Companhia.

A Braskem, mantendo seu compromisso com a disciplina de capital e com a realização de investimentos com retorno acima de seu custo de capital, realizou investimentos operacionais que totalizaram R$ 894 milhões em 2009. Desse montante, R$ 183 milhões foram destinados ao projeto de PE Verde, na implantação da unidade de eteno a partir de etanol (matéria-prima renovável), que permitirá a produção em escala industrial de 200 kt/a de Polímero Verde. As obras estão avançadas em relação ao cronograma e a planta está programada para entrar em operação no 3T10.

Outro destaque é o investimento realizado na conversão da Unidade de MTBE para ETBE da Unidade de Petroquímicos Básicos da Bahia, na ordem de R$ 43 milhões, que têm sua importância ampliada face à utilização de matéria-prima renovável (etanol). Esta planta entrou em operação em junho de 2009.

No plano estratégico, a incorporação da Petroquímica Triunfo no primeiro semestre e as aquisições da Quattor e da norte-americana Sunoco Chemicals no início de 2010 ampliaram a competitividade e o porte da Braskem. A compra da Quattor fortaleceu a petroquímica brasileira e elevou a Companhia à oitava posição entre as maiores empresas globais do setor, enquanto a aquisição da Sunoco a posicionou como a terceira maior produtora mundial de polipropileno.

Dentro do programa de internacionalização da Braskem, cabe ressaltar ainda a decisão de desenvolver no México, em associação com o Grupo Idesa, uma das principais empresas petroquímicas daquele país, um novo projeto integrado para produção de 1 milhão de toneladas/ano de eteno e polietileno. Com investimentos previstos de US$ 2,5 bilhões, o projeto deverá iniciar operações em 2015.
Com relação aos investimentos em estudo na Venezuela, Braskem e Pequiven decidiram avaliar uma nova modelagem para os projetos petroquímicos das joint ventures Propilsur e Polimerica, devido à nova realidade do mercado internacional de crédito e alternativas melhores para o fornecimento de matérias-primas. No caso do projeto de polipropileno, da empresa mista Propilsur, a estatal petrolífera da Venezuela, PDVSA, apresentou alternativa de fornecimento de matéria-prima, propeno, a partir do Complexo de Refino de Paraguaná, no Estado Falcón. Diante desta proposta, Pequiven e Braskem estão avaliando a viabilidade de mudança na concepção e no local do projeto. Da mesma forma, concordaram em adiar por um ano os desenvolvimentos relacionados ao projeto de polietilenos, da empresa mista Polimérica, com o objetivo de avaliar alternativas ainda mais competitivas para o projeto.

“A Braskem tem dado passos importantes para realizar sua visão estratégica de estar entre as 5 principais petroquímicas globais, sempre comprometida com o desenvolvimento sustentável, impulsionando uma dinâmica que traz oportunidades de valorização para toda cadeia produtiva do setor e favorece os investimentos necessários para acompanhar o crescimento da economia brasileira previsto para os próximos anos”, conclui Gradin.