BNDES amplia apoio às múltis verde-amarelas
18/02/2010

O banco prepara alternativas de financiamento para atender às novas grandes empresas brasileiras no exterior

A política do governo de incentivar a formação de grandes empresas competitivas no mercado internacional está longe de terminar. Ainda há um vasto campo de empreendimentos que merecerão apoio do BNDES para fusões e aquisições, sobretudo nas commodities. O banco prepara alternativas de financiamento para atender às novas grandes empresas brasileiras no exterior. No momento, duas opções estão em construção: emitir títulos do BNDES no mercado interno para captar recursos ou, mais provável, usar a subsidiária de Londres para captar e emprestar fora do país.

Dois exemplos do que está em curso são a compra da Brenco pela ETH Bioenergia, do grupo Odebrecht, e as negociações da Braskem/Petrobras para adquirir nos EUA uma petroquímica de porte, aproveitando a desvalorização de grandes companhias em decorrência da crise financeira. A Braskem conversa com a Ineos, empresa de fundos ingleses. As portas da Dow Chemical e da LyondellBassell também não estão fechadas.

A estratégia que fundamenta essa ação governamental, idealizada pela ministra Dilma Rousseff e pelo presidente do BNDES, Luciano Coutinho, é criar grupos nacionais com estatura para competir no mercado mundial. A partir daí, essas companhias fariam do país um centro de decisões importante e ampliariam a corrente de comércio do Brasil, abrindo espaço para que as cadeias fornecedoras também passassem a usufruir do espaço global. Para isso, é inexorável que as empresas maduras e sólidas passem pelo processo de concentração de capital, etapa em que o estímulo do BNDES é decisivo.

Há riscos nessa estratégia, salientam economistas avessos à ideologia intervencionista. "O governo está definindo os campeões e escolhendo empresas com alto poder de monopólio. O que está acontecendo na petroquímica é uma concentração absoluta. Se ele deixasse entrar empresas estrangeiras no país, teríamos concorrência", disse uma fonte do setor privado. "É a tese do Brasil potência. Temos que ter submarino nuclear e empresas nacionais globais, mas uma potência artificial e não construída por eficiência, crescimento e alto nível educacional".