Manifesto pelo desenvolvimento do Brasil
8/12/2005

Os países em desenvolvimento sabem que, para alcançar as condições de vida e de bem estar das nações desenvolvidas, precisam assegurar taxas de crescimento econômico significativamente superiores à média mundial.



Desejo de muitos, sucesso de poucos. Os vitoriosos se impõem diante dos que fracassam por sua tenacidade na construção de um projeto nacional de desenvolvimento, mediante a aplicação de políticas adequadas, pela busca de uma inserção qualificada à economia internacional e pela capacidade gerencial de seus governos.



Nas duas últimas décadas, o Brasil se alinhou entre os que não conseguiram acompanhar o ritmo de expansão e o grau de modernização da indústria e dos serviços, marca registrada dos processos de evolução dos países emergentes de maior dinamismo.



Vivemos momento histórico em que rápidas transformações econômicas estão posicionando as economias emergentes em dois grupos distintos: as propulsoras do crescimento futuro — e que, nessas condições, estarão credenciadas a superar o subdesenvolvimento —, das que ficarão para trás.O declínio da posição relativa do Brasil no cenário mundial, a ampliação da distância que nos separa dos mais agressivos protagonistas na corrida para o desenvolvimento serão fatais e definitivas se não nos mostrarmos capazes de reorientar nossa estratégia econômica em favor do crescimento acelerado.



O projeto brasileiro de desenvolvimento tem que definir, com clareza, seus eixos de expansão.O território, a população e o grau de urbanização não concedem ao Brasil alternativa senão o dinamismo sustentado da indústria, enquanto motor do crescimento econômico e das transformações sociais.



Para retomar taxas elevadas de crescimento industrial, o Brasil conta com o enorme potencial: sua agropecuária, seu invejável manancial de recursos naturais, mercado interno amplo, além da comprovada capacidade de seus empresários e trabalhadores para empreender, inovar e participar competitivamente da economia global.



Falta clareza a nossos governos quanto às condições necessárias para realizar um projeto de desenvolvimento. Por isto, a gestão da economia tem privilegiado a estabilidade da moeda – o que também queremos – em detrimento da produção e do emprego – que lamentamos. É falso o dilema entre estabilização e crescimento econômico, mas a verdade é que os instrumentos para a promoção do crescimento transformam-se, freqüentemente, em um mero subproduto das políticas de estabilização.



O seminário "Industrialização,Desindustrialização e Desenvolvimento" pretendeu mostrar que desindustrialização, entendida como a perda relativa do vigor do setor produtivo, já ocorre em nosso país. É crucial reverter este processo, promover uma imediata retomada do dinamismo da indústria e, junto com ela, a marcha acelerada para o crescimento.



A indústria necessita, assim como os demais setores produtivos, de um ambiente adequado para seu crescimento. No Brasil os juros altos, a carga tributária excessiva, o câmbio valorizado e volátil, a carência de investimentos e de infra-estrutura configuram um quadro macroeconômico absolutamente hostil e na contramão das experiências bem sucedidas de desenvolvimento. Imaginar uma economia capaz de sobreviver e crescer sob tais condições é não só apostar no improvável, como olhar com indiferença para as perspectivas de desenvolvimento futuro.



A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo - FIESP e o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial -IEDI – vêem com preocupação os rumos que estão sendo impostos ao processo de desenvolvimento brasileiro.Decididamente, por esses caminhos, os anseios legítimos do conjunto da sociedade brasileira não serão alcançados. Por isso, reafirmamos nossas convicções: é indispensável ter um verdadeiro projeto de desenvolvimento, assumir o papel preponderante da indústria nesse projeto e cuidar das condições macroeconômicas que a estimule.



Não haverá desenvolvimento, com equilíbrio interno e externo, como deseja o povo brasileiro, sem as condições adequadas para uma indústria forte, moderna e competitiva.



Federação das Indústrias do Estado de São Paulo - FIESP
Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial - IEDI