Petrobras e a política de fornecimento de gás para o setor
07/12/2009

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, esteve presente no 14º Encontro Anual da Indústria Química, realizado na última sexta-feira (4) e disse: “não podemos nos comprometer com a rigidez de oferta em contratos firmes para 2016". A indústria química e petroquímica aguarda a estatal para destravar parte dos US$ 132 bilhões em investimentos, que serão necessários para atender a demanda nacional na próxima década, além de zerar o déficit comercial, hoje em US$ 13 bilhões. Mesmo assim, a Petrobras - que controla a oferta de gás - diz não ter como disponibilizar gás natural em volumes firmes, para a indústria, diante da oferta que precisa garantir para a geração termelétrica. Gabrielli afirmou que os investimentos da estatal prevêem a ampliação da produção de gás nacional, de 29 milhões para 72 milhões de m3/dia de gás natural. Além disso, a companhia deverá elevar dos atuais 21 milhões para 32 milhões de m3/dia a oferta de gás, nos terminais de GNL. A empresa ainda conta, até 2019, com o contrato de 30 milhões de m3 por dia, trazidos da Bolívia. Mesmo diante desses números, a demanda de gás no Brasil cresce a um ritmo superior. O pré-sal ainda é uma incógnita sobre a capacidade, que esses campos terão em ofertar o combustível. Segundo Gabrielli, o problema ainda está na falta de dados sobre o comportamento dos reservatórios e sobre quanto gás terá de ser reinjetado nos poços, para garantir um ritmo adequado de produção de petróleo. O presidente da Petrobras negou que a estatal esteja analisando uma política de preços diferenciada, para a indústria que consome o gás como matéria-prima. Segundo ele, a estatal não negocia gás diretamente com as empresas, e sim com as distribuidoras, observando que, se as companhias distribuidoras quiserem negociar um preço diferenciado para um setor, é prerrogativa delas.



(Fonte: Folha de S. Paulo, 07/12)