BNDES gasta R$ 8 bi em um ano para criar ''campeões nacionais''
28/09/2009

A criação de grandes grupos empresariais brasileiros, uma das principais ambições do governo Lula na área econômica, consumiu, em apenas um ano, pelo menos R$ 8 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O dinheiro foi usado para permitir que empresas como JBS Friboi e Votorantim comprassem concorrentes. Os recursos foram injetados por meio do BNDESPar, a empresa de participações do BNDES, que entrou como sócia ou elevou participação nas compradoras - ou consolidadoras, na linguagem do banco. A conta considera apenas os aportes diretos no capital das empresas. Não entram os empréstimos concedidos a elas pelas linhas de financiamento do banco. No setor de alimentos, onde o movimento de consolidação é mais vigoroso, a participação acionária do BNDESPar saltou de R$ 1,7 bilhão para R$ 5,4 bilhões em um ano e meio. Ao todo, o banco tem hoje cerca de R$ 13 bilhões em participações de empresas de quatro dos setores que participam do processo de consolidação: petroquímica, papel e celulose, telecomunicações e alimentos. A meta é incentivar a criação de companhias capazes de competir no exterior, criando receitas, empregos e influência para o País. Dentro do governo, as tais empresas consolidadoras são chamadas de campeãs nacionais. A criação de grandes grupos é uma meta do presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Mas a teoria só passou a ser partilhada pelo empresariado depois da crise econômica, que fragilizou a saúde financeira de várias companhias.

Fonte: ( O Estado de São Paulo)