Seminário promovido pela Fiesp discute a desindustrialização brasileira
28/11/2005

Nessa segunda-feira, dia 28 de novembro, aconteceu na Fiesp o Seminário Internacional de Industrialização, Desindustrialização e Desenvolvimento. O evento realizado pela Fiesp e o IEDI (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) começou com o depoimento do presidente da Fiesp, Paulo Skaf e com o discurso do vice-presidente da República, José Alencar. Ele comentou que o vocábulo “desindustrialização” nem deveria existir, pois significa empobrecimento, escassez de trabalho.

O primeiro painel abordou o tema da relação entre indústria e desenvolvimento. O professor de Economia e Política da Universidade de Cambridge, Gabriel Palma e Richard Kozul Wright, da UNCTAD, explicaram que esse fenômeno vem ocorrendo em numerosas economias da África, América Latina e do Oriente Médio nos últimos 25 anos, desde a crise da dívida externa dos anos 80s. “Porém, o contraste entre a Ásia Leste e a América Latina é marcante”, conta Palma. Em países como o Brasil e a Argentina estão os grupos sem dinamismo em industrialização, enquanto as economias do leste asiático se encontram em vários estágios de industrialização de êxito.

A segunda rodada sobre a América Latina contou com a presença do embaixador Sérgio Amaral, com o vice-presidente do BID, João Sayad e com o diretor da Cepal (Centro de Estudos Parapsicológicos da América Latina) na Argentina. Na opinião de João Sayad, a política macroeconômica causou a desindustrialização brasileira. Isso não significa a destruição da indústria e sim o declínio da produção ou do emprego industrial em termos absolutos ou como proporção do produto ou emprego nacional. Na maioria das vezes, é uma conseqüência normal de um processo de desenvolvimento econômico: cai a participação da agropecuária no PIB e aumenta a expressão da indústria, depois o setor de serviços ganha mais espaço e quem perde é a indústria. O que está acontecendo no Brasil é a redução da importância do setor industrial no produto e no emprego, num cenário de desaceleração do crescimento econômico, resultado de processos de abertura realizados equivocadamente e de políticas macroeconômicas adversas para o desenvolvimento produtivo.

O terceiro painel sobre o futuro da indústria foi mediado pelo presidente do BNDES, Guido Mantega. Para o professor Antônio Barros de Castro, a desindustrialização não foi tão ruim e ele afirma que a economia cresceu muito, apesar dos outros expositores do evento alegarem o contrário. O economista Luiz Gonzaga Belluzzo acredita que a indústria resistiu aos choques da economia macroeconômica, mas também não está tudo bem como aponta o professor Antônio Barros. Guido Mantega diz que apesar da desindustrialização, houve uma preservação do crescimento econômico.

Como o próprio embaixador Sérgio Amaral disse o objetivo do Seminário foi promover um diálogo sobre o assunto e discutir como retomar o crescimento. Para todos os participantes do evento, o objetivo foi atingido. O governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, que participou do encerramento, garante que o seminário foi de grande utilidade e que essa discussão servirá para o futuro.

Por Marina de Lima e Marcio Freitas