Petroquímicas investem em geração de energia
10/11/2008

A indústria química brasileira pretende colocar em prática projetos que têm a finalidade de reduzir a dependência dessas empresas do sistema elétrico brasileiro. Esse movimento ganhou força principalmente nos últimos meses, quando empresas como Braskem e Solvay Indupa anunciaram projetos de geração de energia, visando a auto-suficiência. Dados da EPE, autarquia ligada ao MME, comprovam esse movimento. No Plano Decenal de Energia 2008-2017, a EPE projeta que a autoprodução de eletricidade na indústria química saltará dos atuais 303,1 MW para 799,6 MW médios, em 2017. Dentre os segmentos da cadeia produtiva, destaque para o setor petroquímico, no qual a geral a geração própria de eletricidade no período, praticamente triplicará, passando de 289,6 MW médios para 786,1 MW médios. O vice-presidente executivo da Abiquim, Nelson Pereira dos Reis, diz que uma das razões, que pode explicar a corrida do setor por investimentos em projetos energéticos, é a insegurança do setor industrial brasileiro, em relação ao abastecimento de gás natural do país. Atualmente, 50% da demanda brasileira é atendida pela Bolívia, fornecimento marcado por conflitos. No último capítulo desse impasse, em setembro, a oposição boliviana impediu o envio de 17 milhões de m3/dia, ao danificar um dos dutos que supre o Brasil, volume este que representa 56% do gás total, comprado pela Petrobras. Segundo o executivo da Abiquim, o Brasil tem vizinhos "não confiáveis", o que cria um ambiente de incerteza, em relação ao abastecimento energético. Além da Bolívia, o sistema depende do fornecimento de energia, a partir de Itaipu, que atende a 20% da demanda por eletricidade brasileira. Neste caso, a insegurança é causada pela decisão do governo paraguaio em pressionar por aumento no preço da tarifa. Reis lembra que o gás é crucial para o País e por isso sua escassez é tão preocupante para as indústrias. A grande questão é que o insumo tem sido disputado entre o setor elétrico e o mercado de gás, com vantagem para o primeiro segmento. Hoje, com os reservatórios das hidrelétricas em níveis confortáveis, o ONS não tem despachado todas as térmicas para garantir o abastecimento elétrico do Brasil - ainda assim, o consumo termelétrico de gás deste ano é recorde, superando 15 milhões de m³/dia em fevereiro e agora se estabilizando em torno de 13 milhões de m³/dia. Mas esse cenário pode mudar, caso o Brasil sofra com a redução no volume de chuva e conseqüente redução no volume dos reservatórios nacionais. De acordo com o vice-presidente da Abiquim, no passado, a Petrobras já deixou claro que, em caso de escassez energética, a prioridade será das térmicas. O sócio-diretor da Gas Energy, Marco Tavares, afirma que a dependência brasileira do gás ficou clara no início do ano, quando houve atraso nas chuvas, o volume de água armazenado reduziu drasticamente e o ONS precisou acionar as térmicas para evitar um apagão para eletricidade. O problema, porém, é que não há gás suficiente para todos os consumidores. A Braskem está em conversações com produtores do Rio Grande do Sul para saber se há o interesse de beneficiadores de arroz e madeira de fornecer restos, de suas produções, para a geração de energia. A proposta da companhia é utilizar cascas de arroz e resíduos de madeira para abastecer usinas térmicas. O investimento estimado na iniciativa é de R$ 150 milhões. O grupo Solvay Indupa, concorrente da Braskem na área de PVC, estuda construir Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e termelétricas no Brasil e chegar a 2020, com o status de auto-suficiente em energia.



(Fonte: Agência Estado)